ARTIGO

Um ano de PIX: o empreendedor foi beneficiado?

Data de publicação: 18.11.2021

O serviço de transferência de fundos em tempo real entre instituições financeiras sem o pagamento de taxas foi criado pelo Banco Central (BC) e representa uma melhoria tecnológica significativa. Afinal, outras formas de transferências (como TED e DOC) não são concretizadas em tempo real entre bancos diferentes, e costumam cobrar taxas para quem transfere, seja pessoa física ou jurídica.

Recentemente, o Banco Central tomou medidas visando a segurança do Pix, diminuindo para $ 1 mil as transferências entre as 20h e as 6h, por exemplo, assim como o bloqueio, por até 72 horas, do recebimento de recursos por pessoas físicas em caso de suspeita de fraude.

Além disso, entrou em vigor na última terça-feira, 16, o Mecanismo Especial de Devolução, que agiliza o ressarcimento ao usuário vítima de fraude ou de falha operacional das instituições financeiras. Até agora, em uma eventual fraude ou falha operacional, as instituições envolvidas precisavam estabelecer procedimentos operacionais bilaterais para devolver o dinheiro. Com o Mecanismo Especial de Devolução, as regras e os procedimentos serão padronizados.

Durante evento ao vivo feito pelo BC, a instituição louvou a rápida adoção da ferramenta pelos brasileiros e mostrou que, na comparação com ferramentas semelhantes usadas por outros países, o Brasil alcançou o maior número de transações por habitante ao fim de um ano de existência, chegando a mais de 30, enquanto o Chile, que tinha o recorde, tinha chegado a 9 em igual período após o lançamento de ferramenta semelhante.

Também apontou que 762 instituições financeiras já aderiram ao Pix e que a participação dos bancos tradicionais no volume de transações por Pix é bem menor do que no mercado de débito e crédito (68% neste caso e 61% naquele), o que foi indicado como uma forma de tornar o sistema menos concentrado, aumentando a relevância de fintechs e bancos digitais.

Em relação aos meios de pagamento em geral, o Pix, com 1,9 bilhões de transações no segundo trimestre de 2021, já ultrapassou os cartões pré-pagos e só está atrás dos cartões de crédito e débito agora.

Dentre o total da população, 104 milhões de pessoas já realizaram transações pelo Pix, o que representa 62% da população adulta, sendo que 70% das transações são feitas por pessoas com menos de 39 anos.

Considerando o crescimento por faixas de renda, o principal aumento foi entre as pessoas de baixa renda, com 131% de alta entre março e outubro deste ano, contra 52% no geral. Em relação ao valor, 60% das transferências realizadas via Pix ficaram abaixo de R$ 100.

Mas afinal, qual foi o real impacto do Pix para os empreendedores? A ferramenta digital, afinal, mudou a vida do empreendedor de forma positiva?

A resposta é positiva, de acordo com o consultor do Sebrae-SP Inge Ommundsen Neto.

Ao contrário do que alguns pensam, não são todos que desfrutam de gratuidade nas transações com o Pix. Como ele explica, mesmo no caso de pessoas físicas podem ser cobradas taxas, caso seja provado que ela estava usando o sistema para transações comerciais.

No caso das pessoas jurídicas, a isenção do pagamento precisa ser negociada. Essa negociação, para deixar claro, é feita entre o empresário e a instituição financeira com a qual ele tem vínculos, não com o Banco Central. O que acontece, no fim das contas, é que bancos tendem a tabelar, assim como fazem com TED (transferência eletrônica disponível) e DOC (documento de ordem de crédito).

Mesmo assim, de acordo com Inge, o Pix é uma das melhores formas de pagamentos para os pequenos e médios empresários, mas não necessariamente é a forma menos custosa. "Depende muita da negociação, das condições do cliente e da empresa. Mas considerando a realidade atual, o Pix como pagamento à vista é uma das melhores forma de pagamento porque você não tem a taxa do débito e o dinheiro fica disponível na hora para o empresário", afirma, ressaltando o menor custo em relação às maquininhas, que chegam a cobrar R$1,99 por transação.

Fonte: https://bit.ly/3FrXmv1.

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