ARTIGO

Até quando será necessário adotar o isolamento social?

Data de publicação: 30.04.2020

Dada a rápida propagação do novo Coronavírus, que causa a síndrome respiratória covid-19, medidas de isolamento social como quarentenas são a melhor forma de conter a pandemia, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Limitando a circulação de pessoas nas ruas e estabelecimentos, espera-se diminuir o número de novos casos e evitar que a quantidade de doentes que precisam de atendimento seja maior que a capacidade de sistemas de saúde.

Em diferentes locais, as abordagens variam entre fechamento de comércio, recomendações para moradores ficarem em casa e quarentenas forçadas, puníveis com multa.

Os países também estão em estágios diferentes da estratégia para lidar com o vírus. Enquanto as regiões na China que foram o primeiro epicentro da doença hoje começam a relaxar medidas, três meses depois do início do surto, em 24 de março a Índia decretou quarentena a seus 1,3 bilhão de habitantes.

Desde a última semana de março, um terço da população mundial vive em regiões com alguma medida de distanciamento social em vigor.

Os cenários da pandemia com e sem isolamento

O Imperial College de Londres, uma das instituições mais respeitadas do mundo no campo de estudo da epidemiologia, publicou uma modelagem estatística em 26 de março que traçava possíveis cenários para a epidemia do novo coronavírus no Brasil.

A projeção foi feita com base no tamanho total da população e na quantidade de leitos hospitalares disponíveis, imaginando cenários com e sem as medidas de isolamento social.

Caso o Brasil não tivesse tomado nenhuma medida de isolamento – o que, por iniciativa de governos estaduais e municipais, não aconteceu – o número de infectados seria de cerca de 187 milhões de pessoas, com 1,15 milhão de mortos.

Adotando um isolamento social brando, o número de infectados cai para 122 milhões, com 627 mil mortos.

Em um cenário de isolamento social generalizado, com um reforço especial das medidas para o grupo de risco, o número de infectados projetado é de 120 milhões, com 529 mil mortes.

O Imperial College também calculou cenários alternativos baseados no tempo de ação do país.

Caso o isolamento generalizado, com reforço para os grupos de risco, seja adotado quando há menos 0,2 mortes a cada 100 mil habitantes por semana, o número de infectados cai para 11 milhões de pessoas, com cerca de 44 mil mortes.

Já caso as medidas fossem adotadas tardiamente, quando já houvesse 1,6 mortes a cada 100 mil habitantes por semana, o número de infectados seria de 49 milhões de pessoas, com 206 mil mortes.

Na manhã de quarta-feira (1), o Brasil tinha 0,1 mortes a cada 100 mil habitantes.

O estudo ressalta que essas estimativas não levam em conta fatores infra estruturais do país, como a falta de saneamento básico em muitas comunidades. Isso faz com que os cenários possíveis possam variar.

O que cientistas dizem sobre a duração do isolamento social

Desde o dia 20 de março, as buscas no Google por “fim do isolamento social” tiveram uma curva crescente, segundo o Trends, ferramenta que monitora as pesquisas na plataforma.

Como o novo coronavírus era desconhecido até o início do surto da doença na China, não há um consenso dentro da comunidade científica sobre quanto tempo o período de isolamento social vai durar. Porém, alguns especialistas apresentaram cenários possíveis, com hipóteses que se baseiam em epidemias passadas.

O cenário mais otimista – e improvável – é de que a vida volte à normalidade em um ou dois meses. Segundo William Hanage, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, tal conjuntura só se concretizaria se houvesse uma mudança de comportamento do próprio vírus.

“[Isso só aconteceria] se todas as pessoas que se infectarem desenvolvam sintomas muito leves, em vez daqueles que já vimos antes”, disse, em entrevista à revista The Atlantic.

Na mesma entrevista, Hanage imaginou um cenário de isolamento social prolongado por três ou quatro meses, com pesquisadores do mundo todo descobrindo mais informações sobre o vírus e possivelmente entendendo melhor como o corpo reage à infecção.

Nesse cenário, Hanage imagina a vida cotidiana retornando aos poucos, com encontros sociais tendo um menor número de pessoas e o trabalho presencial sendo adaptado a uma nova realidade. Isso poderia acontecer com funcionários realizando suas tarefas em turnos diferentes e evitando concentração de pessoas nos escritórios.

Adam Kucharski, epidemiologista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não acha que seja possível fazer uma previsão de retorno à normalidade. “Esse vírus vai potencialmente circular por um ano ou dois, então precisamos pensar nessas escalas de tempo. Não temos boas opções aqui”, disse em entrevista ao site Vox.

Algumas empresas e centros de pesquisa do mundo estão trabalhando apressadamente para o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus. Ainda assim, no melhor dos cenários, essa solução só ficaria pronta entre 12 e 18 meses. Potenciais tratamentos que estão em estudo também demoram para ter sua eficácia comprovada.

Sem conjecturar um prazo para que sua hipótese se torne realidade, o epidemiologista Barun Mathema, da Universidade de Columbia, traçou um cenário no qual o número dos casos diminui, o isolamento é suspenso por um período e retomado quando há um novo aumento.

“Mas é necessário ter cuidado em saber o quão rápido deve-se relaxar o isolamento, mesmo quando a curva de infectados pareça controlada”, afirmou ao portal EuroNews.

Fonte: https://bit.ly/2xksgbh.

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