ARTIGO

8 de março: um marco de lutas e conquistas das mulheres

Data de publicação: 02.03.2018

Todos os dias dona Maria acorda às 5h da manhã para preparar o café da manhã e almoço para suas três filhas, logo em seguida, ela acorda as meninas para que possam tomar café antes de saírem para aula. Ao deixá-las na escola, logo segue para o trabalho. Essa é a rotina de Dona Maria que sonha com um futuro melhor para suas filhas.

A história de Dona Maria é mais uma entre a de milhões de brasileiras que tem jornada dupla, para poder oferecer uma melhor qualidade de vida para seus filhos.

Diante de toda luta enfrentada, hoje as Donas Marias têm direito ao voto, abono salarial, licença maternidade, Lei Maria da Penha, jornada de trabalho de 8h diárias, remuneração por hora extra, entre outros.

Mas a vida das Marias ao redor do mundo não foi sempre assim, antes elas enfrentavam jornadas de trabalho de 14h diárias, com péssimas condições de trabalho e não tinham direito a vez e voz na sociedade.

Mas para que essas mudanças começassem a acontecer foi preciso ocorrer dois fatos trágicos para que então a luta ganhasse visibilidade.

O primeiro marco por melhorias aconteceu em 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica em Nova Iorque, realizaram uma greve trabalhista reivindicando melhores condições de trabalho e aumento salarial, mas ao invés de ter sua petição atendida, elas foram reprimidas por atos de violência.

Outro fato que chocou a sociedade, aconteceu em 25 de março de 1911, na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, quando um incêndio com indícios criminosos, durante uma tarde de sábado matou cerca de146 pessoas, entre elas, mais de 100 mulheres. O mais curioso é que dois anos antes, trabalhadores da mesma fábrica haviam realizado greves trabalhistas lideradas por mulheres reivindicando também melhores condições salariais. A suspeita é que os donos tenham causado o incêndio para receber o valor do seguro.

Só mediante a esses dois acontecimentos, que a causa ganhou atenção suficiente para que a luta fosse pautada e então discutida. E em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, o dia 8 de março foi instituído como o Dia Internacional da Mulher, mas só em 1975, a ONU oficializou a data como uma forma de homenagear a história de toda essa luta.

No Brasil, a primeira conquista das mulheres aconteceu em 24 de fevereiro de 1932, quando durante o governo de Getúlio Vargas, a mulher passou a ter direito ao voto. Essa conquista só foi assegurada após muitas reivindicações e discussões.

De início existiam algumas restrições e só mulheres com 21 anos, casadas, com autorização dos maridos, viúvas e solteiras que tivessem renda própria, teriam o direito ao voto. Mas em 1934 essas restrições foram eliminadas pelo Código Eleitoral e em 1946 a obrigatoriedade ao voto foi estendida às mulheres.

Lutas e conquistas marcam a história da mulher na sociedade e essa luta vem ganhando força a cada ano que passa.

Hoje podemos ver que muita coisa já mudou, mas que ainda existe um longo caminho a ser trilhado para alcançar o que de fato é direito.

Segundo pesquisa divulgada em 2017, pela Datafolha, mais de 500 mulheres são vítimas de agressões físicas a cada hora no Brasil.

São dados como esses que mostram que mesmo com tantas conquistas, ainda existe muito o que ser mudado para que essa luta não seja apenas para receber uma flor todo dia 08 de março, mas sim respeito e reconhecimento durante o ano inteiro.

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